sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Black "Desespero" Friday.

O ano passou (arrastado, mas passou) e lá vem ela de novo, a Black Friday, o dia (ou semana) que é como um apagão dos preços e os fornecedores (lojas físicas e onlines) vendem seus produtos com grandes descontos (?! #sera)


Se não vendem, deveriam, porque já que é pra copiar os Estados Unidos, podiam copiar o cumprimento às regras também. 

Sobre os bons descontos...pois é, tem loja, "super esperta" que vende o ano todo um produto por $ 900,00. Daí chega o BF e no comercial coloca o produto com o valor de, por exemplo, $ 1.500,00 riscado e bem grandão os $ 900,00 (bola vermelha de palhaço no nariz do povo!).

Mas Ok...com todos os entretantos e poréns, pensei no texto para falar sobre comprar o que a gente não precisa, só porque está com aquele precinho irresistível. Mas pra quê? 

Tudo bem, você trabalhou arduamente o ano todo, está chegando seu 13º lindo e querido, mas...você precisa mesmo daquela super televisão 50 polegadas, que baixou o preço em $ 1.000,00 (ainda sobra milhares de zeros, só não esquece...rs) ou daquele espremedor de laranja que está uma super pechincha?

Sim! O dinheirinho suado e que anima sua conta é seu e você faz por merecer o super produto incrível e baratinho (!) que está adquirindo, ou os vários produtos e seus boletos respectivos.

Mas a vida continua e essa sua ansiedade e aflição desse 28/11 (ou da semana toda) vai apenas virar uma dívida que você precisará pagar ou um produto que nem vai parecer mais tão mega power daqui umas semanas.

Não sou pão-dura, mas compro só quando preciso mesmo (vai, às vezes me dou ao luxo de um "surto" pra comprar alguma coisa que eu "super preciso" mas é beeem raro...meu esposo que o diga), mas não fui sempre assim. Já acumulei muita coisa, de materiais de artesanato à sapatos, por pura ansiedade de gastar e aproveitar a promoção IMPERDÍVEL

Semana passada comprei um celular novo, mas porque o meu já estava pedindo socorro...rs. Mas procurei promoção dele e comprei um celular que eu sonhava há um tempo já.

Pois é...quando eu era criança, ganhávamos alguma coisa boa de verdade, ou no aniversário, no Natal ou se uma tia ou madrinha bondosa dava um presente sem um motivo. Mas hoje em dia, vira e mexe, as crianças ganham aparelhos eletrônicos e brinquedos turbinados, que ás vezes, nem a gente, que é adulto, sabemos mexer...mas isso é assunto pra outro post =)

Quero falar sobre o consumo consciente, que está na moda, e é uma coisa que se auto-explica e não deveria ser moda e fazer parte apenas de algum nicho social, mas ser espalhado, pra todo mundo conhecer, inclusive pras classes C, D e E que são as que mais se endividam.

A minha filha ganhou um porquinho, pra colocar moedinhas, eu comprei pra ela, pra ela saber que pode comprar balinha de frutas quando tiver dinheiro no porquinho e deveríamos ter todos, um porquinho desses e saber que o passo da nossa perna, em termos de gastos, iria até onde tivesse "grana no porquinho", algo assim.

A Natura lembra bem esse conceito do consumo consciente, com sua campanha da linha Sou, "pra quê eu preciso do que eu não preciso".

Então, compre sim, dinheiro não é pra guardar embaixo do colchão, igual ao pai da Tieta*, você trabalhou e merece usufruir, mas não torne o Black Friday em desespero pra você, gerando ansiedade pelas compras, ou dívidas, não torne o Black Friday em apagão na sua conta bancária e em arrependimento (geralmente os produtos comprados nesses dias não são reaceitos nas lojas).

Se a vontade de comprar, comprar, comprar for incontrolável, pare pra pensar o que falta pra você interiormente. Às vezes esse descontrole pode ser pra se exibir pra alguém, esconder alguma carência emocional, algo mal resolvido. Vai que...

Então, consuma conscientemente, não dê passos maiores que suas pernas e durma tranquilo(a).

Beijo,

Referências:

* O pai da Tieta guardava o dinheiro dele embaixo do colchão, e um dia que ele se lembrou e foi ver, o dinheiro todo tinha perdido o valor. Tieta do Agreste, publicado em 1977, de Jorge Amado, 

*A gravura que usei pra fazer o banner dessa postagem é o famoso quadro do norueguês Edvardo Munch e chama "O grito" e data do ano de 1895.

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